15/06/2015

Jantar de Casais foi realizado com sucesso pelos Rotarys Clubs de Tupanciretã

    A união dos Rotarys Clubs Tupanciretã e Tupanciretã Mãe de Deus alancam mais um grande evento anual o Jantar de Casais em uma união de esforços e divisão de tarefas entre si sai mais uma ideia que gera recursos finais para projetos locais aplicados no próprio município. Deste evento parte vai para reforma geral do BANHEIRO TÉRREO do HCBT - Hospital de Caridade Brasilina Terra.  A Lagartus fez a cortesia desta cobertura em apoio. Crédito de imagem para LUIS AFONSO COSTA









































































 




































































































































































































































































































Que venha o 2º Jantar de Casais em 2016

Acervo de 990 imagens e 2 gb de clips para história dos eventos em Tupanciretã

14/06/2015

Exercito Brasileiro bem que poderia ser a nossa maior construtora publica












Exército Brasileiro tem se destacado por agilidade em obras públicas como a transposição do Rio São Francisco

Por Redação

    Na transposição do São Francisco os trechos a cargo da instituição estão quase concluídos
    A eficiência, honestidade e a rapidez do Exército na execução de obras de construção e reforma pelo país estão incomodando as empreiteiras, que se queixam de “concorrência desleal” por parte da corporação.
    O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, reclamou esta semana da participação do Exército Brasileiro em obras desenvolvidas pelo governo federal. “O setor da construção civil não vê com bons olhos a atuação do Exército em obras como duplicação de estradas e construção de aeroportos. Não há necessidade de os militares assumirem obras desse tipo”, disse. “O Exército é hoje a maior empreiteira do país”, reclama também João Alberto Ribeiro, presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias. Segundo ele, poucas construtoras no país têm hoje uma carteira de projetos como a executada pelos batalhões do Exército. No PAC, há 2.989 quilômetros de rodovias federais sob reparos, em construção ou restauração, com gastos previstos em R$ 2 bilhões. Destes, 745 quilômetros – ou R$ 1,8 bilhão – estão a cargo da corporação. “Isso equivale a 16% do orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes neste ano”, disse.
     O general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, da Diretoria de Obras de Cooperação (DOC), do Departamento de Engenharia e Construção do Exército (DEC), rebateu as declarações dos representantes das empreiteiras e afirmou que “a atuação dos militares só ocorre quando é bom para o país e para a instituição”. O general declarou que “algumas das obras assumidas pelos militares eram consideradas prioritárias e estavam tendo problemas para serem tocadas pela iniciativa privada”. “A gente não pleiteia obras. Elas são oferecidas e aceitamos quando elas são importantes para o desenvolvimento do país e para nosso treinamento”, destacou. No auge das obras, 12 mil soldados atuaram na construção civil para o governo.
     Ele lembra, por exemplo, que havia uma briga no consórcio vencedor da licitação para a duplicação da BR-101 e que as empresas fugiam do início das obras da transposição do São Francisco. A alegação para o retardamento do início das obras era que o canteiro ficava no polígono da maconha. O general conta que o Exército fez um trabalho social na área e que dois hospitais chegaram ser montados na região, para atendimento à população.
Obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão sendo conduzidas pelos militares. Os militares receberam R$ 2 bilhões nos últimos três anos para executar duplicações de estradas, construção de aeroportos, preparar novos gasodutos e iniciar a transposição do Rio São Francisco. No total seriam 80 obras.
    A transposição do São Francisco é o caso mais emblemático. Enquanto os trechos que ficaram sob a responsabilidade do Exército estão quase prontos, a parte que cabe às empresas privadas está atrasada ou paralisada. Em Floresta (PE), onde o percentual de execução não passa de 13%. Em outros lugares chega só a 16%. Nos trechos feitos pelo Exército, a obra avançou 3 vezes mais que os das empreiteiras no Eixo Norte (80% está concluída) e 5 vezes mais no Eixo Leste. Por sua vez as empresas privadas estão pedindo mais dinheiro para continuar as obras.
   As empresas privadas, algumas delas organizadas em cartéis, depois de retardarem obras importantes para o país, de exigirem reajustes absurdos nos preços, criticam quando o Exército é acionado para garantir as obras prioritárias. Elas alegam uma suposta “concorrência desleal’. Segundo os empreiteiros, a participação expressiva dos militares “inibe o investimento e impede a geração de empregos”.
    “O Exército não é um construtor. Quem pensa que vamos concorrer com as empresas está equivocado. Só atuamos para treinar nosso pessoal”, disse o general, que afirma que contrata empresas privadas para a construção de pontes e viadutos.
    Os militares também fizeram obras para estatais – como as clareiras na selva para a construção do gasoduto Coari-Manaus, e para outros níveis de governo, como a atual construção do Caminho da Neve, estrada que Santa Catarina quer abrir para unir Gramado (RS) a São Joaquim (SC), favorecendo o turismo de inverno.
     Estima-se que, quando concluídas, as obras entregues ao Exército terão um custo até 20% menor para os cofres públicos. “A corporação não pode lucrar com os serviços que presta”. Como emprega os próprios oficiais e soldados, já remunerados pelo soldo, o custo da mão de obra deixa de ser um componente do preço final da empreitada. Por tudo isso, o Exército está desempenhando um papel fundamental na infraestrutura necessária para o Brasil.


11/06/2015

João Simoes Lopes Neto terá reconhecido seu trabalho empreendedor e cultural em 2015 - 2016, no RS


   Em março o governador José Ivo Sartori assinou o decreto que institui o Biênio Simoniano. O evento foi realizado no salão Alberto Parqualini, do Palácio Piratini e contou com as presenças dos secretários de Estado da Cultura, Victor Hugo, da Educação, Vieira da Cunha e do Trabalho, Miki Breier.
   Em 2015 completam-se 150 anos de nascimento do escritor gaúcho João Simões Lopes Neto, e em 2016 cem anos da sua morte. Considerado por estudiosos e críticos como o maior autor regionalista do Rio Grande do Sul, Simões Lopes Neto buscou, em sua produção literária, valorizar a história do gaúcho e suas tradições. Pela importância destas datas, a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), em parceria com a Prefeitura de Pelotas e o Instituto Simões Lopes Neto, criou o projeto que deu origem ao decreto do Biênio Comemorativo.


Milton Ribeiro - jornalista e escritor Porto Alegrense descreve sobre o homenageado:
     Não é à toa que Contos Gauchescos faz parte da lista de leituras obrigatórias para o vestibular da UFRGS nos últimos anos. Ele ali está na justa companhia de José Saramago (História do Cerco de Lisboa), Guimarães Rosa (Manuelzão e Miguilim) e de outros. E de outros menores, deveria dizer. Claro, a lista da UFRGS não é garantia de qualidade — por exemplo, lá não estão Erico nem Dyonélio –, mas serve como comprovação de que o pequeno volume de 19 contos narrados por Blau Nunes está bem vivo.

Contos Gauchescos (1912) é o segundo livro de João Simões Lopes Neto (1865-1916), que também escreveu Cancioneiro Guasca (1910), Lendas do Sul (1913) e Casos do Romualdo (1914). O autor viveu 51 anos e publicou apenas quatro livros. Talvez sejam muitos, se considerarmos a colorida vida do autor.

Simões Lopes Neto nasceu em Pelotas, na estância da Graça, filho de uma tradicional família da região, proprietária de muitas terras. Aos treze anos, foi para o Rio de Janeiro a fim de estudar no famoso Colégio Abílio. Retornando ao Rio Grande do Sul, fixou-se para sempre em Pelotas, então uma cidade rica para os padrões gaúchos. Cerca de cinquenta charqueadas formavam a base de sua economia. Porém, engana-se quem pensa que Simões andava de bombacha. Seus hábitos eram urbanos e as histórias contadas nos Contos Gauchescos eram baseadas em reminiscências, histórias de infância e, bem, a verdade ficcional as indica como de autoria de Blau Nunes, não? A epígrafe da obra deixa isto muito claro: À memória de pai. Saudade. Mas voltemos ao autor.

   Sua vida em Pelotas não foi nada monótona. Abriu primeiro uma fábrica de vidro e uma destilaria. Não deram certo. Depois criou a Diabo, uma fábrica de cigarros cujo nome gerou protestos da igreja local. Seu empreendedorismo levou-o ainda a montar uma empresa para torrar e moer café e a desenvolver uma fórmula à base de tabaco para combater sarna e carrapatos. Fundou também uma mineradora. Nada deu muito certo para o sonhador e inventivo João, que foi também professor e tabelião, mas ao fim e ao cabo apenas sobreviveria como jornalista em Pelotas, conseguindo com dificuldades publicar seus livros e folhetins, assim como montar suas peças teatrais e operetas. Este faz-tudo faleceu em total pobreza.

A primeira edição de Contos Gauchescos foi publicada em 1912. Se o ano é este, a data exata da publicação parece ter sido perdida. Na primeira página do volume é feita a apresentação do vaqueano Blau Nunes, que o autor afirma ter sido seu guia numa longa viagem pelo interior do Rio Grande do Sul.

PATRÍCIO, apresento-te Blau, o vaqueano. Eu tenho cruzado o nosso Estado em caprichoso ziguezague. Já senti a ardentia das areias desoladas do litoral; já me recreei nas encantadoras ilhas da lagoa Mirim; fatiguei-me na extensão da coxilha de Santana, molhei as mãos no soberbo Uruguai, tive o estremecimento do medo nas ásperas penedias do Caverá; já colhi malmequeres nas planícies do Saicã, oscilei entre as águas grandes do Ibicuí; palmilhei os quatro ângulos da derrocada fortaleza de Santa Tecla, pousei em São Gabriel, a forja rebrilhante que tantas espadas valorosas temperou, e, arrastado no turbilhão das máquinas possantes, corri pelas paragens magníficas de Tupanciretã, o nome doce, que no lábio ingênuo dos caboclos quer dizer os campos onde repousou a mãe de Deus

(…)

Genuíno tipo – crioulo – rio-grandense (hoje tão modificado), era Blau o guasca sadio, a um tempo leal e ingênuo, impulsivo na alegria e na temeridade, precavido, perspicaz, sóbrio e infatigável; e dotado de uma memória de rara nitidez brilhando através de imaginosa e encantadora loquacidade servida e floreada pelo vivo e pitoresco dialeto gauchesco.

(…)

Querido digno velho!
Saudoso Blau!

Patrício, escuta-o.

Após esta apresentação — de pouco mais de duas páginas na edição pocket da L&PM — , está pronto o cenário para os 19 contos (ou “causos”) que o narrador Blau Nunes contará a seu patrício. Blau é o protagonista de algumas histórias, em outras é um assistente interessado que banha os fatos de intensa subjetividade. E aqui chegamos ao que o livro apresenta de mais original: o trabalho de linguagem de Simões Lopes Neto. Os contos são “falados”, são “causos” contados por Blau e a linguagem acaba por ser uma representação da fala popular misturada a uma inflexão erudita — certamente a de Simões — , transformando-se numa terceira forma de expressão. Numa belíssima terceira forma de expressão. Sabemos que o leitor do Sul21 já está pensando em Guimarães Rosa e tem toda a razão. Rosa confessou que seu texto tinha muito da influência de Simões. O gaúcho abriu as portas para as grandes criações do autor de Grande Sertão: Veredas e esta afirmativa não é a do ufanismo vazio que procura gaúchos em navios adernados, mas uma manifestação de consistente orgulho.

E, assim como nos livros de Rosa, a linguagem de Simões Lopes Neto talvez soe estranha à princípio, apesar de que o estranhamento é muito menor do que aquele com que se depara o leitor do mineiro. Se lá Rosa cria palavras utilizando seu enciclopédico conhecimento etimológico, se lá utiliza-se até de línguas eslavas; aqui Simões transforma o sotaque da região onde nasceu. Há os adágios populares, há os muitos gauchismos do campo e da cidade e há as expressões típicas da fronteira, recheadas de espanholismos. A memória de Blau Nunes é a memória geral do pampa narrando os acontecimentos principais de sua história que, em mosaico, formam uma visão subjetiva da região e de sua gente. Era 1912, não havia regionalismo, estávamos a 10 anos da Semana de Arte Moderna e 4 anos após o falecimento e Machado de Assis. Estamos, pois, falando da literatura de um pioneiro.

Mas Simões Lopes Neto não trabalha apenas a linguagem, é um escritor que sabe criar constante subtexto. Ou seja, há as palavras, mas há um grande contador de histórias trabalhando-as, jogando informações subjacentes que reforçam ou contradizem o que está sendo contado. Isto pode ser sentido no pequeno conto O negro Bonifácio e no tristíssimo No Manantial — segundo e terceiro contos da coleção.  Talvez no Manantial seja o melhor conto escrito por autor gaúcho até o surgimento de Sergio Faraco. Apenas em 1937, com a publicação de Sem rumo e Porteira fechada (1944), de Cyro Martins, e de O Continente (Erico Verissimo, 1949), a literatura do RS produziria outras grandes figuras ficcionais gaúchas. Dizia Tolstói: Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia. E Blau Nunes, na condição de narrador e protagonista dos Contos Gauchescos, é um gaúcho de qualquer latitude.

Milton Ribeiro

http://www.sul21.com.br





Arte de Gilmar Fraga


Patricia Lima - Jornalista da RBS descreve o sequinte:

  Em 9 de março de 1865, na primeira manhã de sol após um aguaceiro que já durava dias e tornara intransitáveis as estradas que ligavam o interior ao centro urbano de Pelotas, Thereza de Freitas Lopes deu à luz seu segundo filho na tranquilidade da Estância da Graça, assistida por mucamas e parteiras e por um médico atrasado, que ao se apresentar já viu o trabalho de parto em pleno curso. O menino, mirrado e estrábico, recebeu o nome de João Simões Lopes Neto. Passados 150 anos desse nascimento, a biografia desse guri, mais tarde autor de Contos Gauchescos e Lendas do Sul, ainda suscita acaloradas discussões e sua obra recém começa a ganhar um primeiro – e ainda incompleto – olhar de conjunto.

O biógrafo Carlos Francisco Sica Diniz, que publicou em 2003 João Simões Lopes Neto: Uma Biografia, a reconstrução mais completa da vida do pelotense, aponta que o futuro escritor nasceu meses depois dos primeiros movimentos da Guerra do Paraguai, o maior conflito armado da América Latina.

– Muitos charqueadores emprestaram dinheiro ao Império para financiar a Guerra e libertaram escravos para servirem ao Exército. O avô do escritor, o Visconde da Graça, foi um deles, o que lhe rendeu o título de nobreza. Era dinheiro da indústria do charque, que estava aquecida naqueles tempos e só declinaria a partir dos anos 80 do século 19. Pode parecer paradoxal, mas foi neste ambiente de prosperidade e guerra que o escritor viveu sua primeira infância – pondera o biógrafo.

Simões Lopes Neto viveu na Estância da Graça até os nove anos, depois alternou-se entre o campo e a cidade. Aos 11, após a morte da mãe, foi mandado ao Rio para morar com um parente e terminar seus estudos – uma passagem pela então Capital federal da qual se tem muito pouco documentado. Ao voltar a Pelotas, em 1884, Simões Lopes Neto começou a colaborar voluntariamente na imprensa pelotense com poemas, textos e crônicas e a empreender suas primeiras tentativas de estabelecer-se como comerciante e industrial. Mais ou menos na mesma época, fez uma viagem decisiva. Percorreu campos sem fim até a Estância São Sebastião, de propriedade de seu avô e localizada em Uruguaiana. O responsável pelo local era o pai de João, Catão Bonifácio, que vivia lá como um autêntico gaúcho. No caminho e nessa estância, além de ter mais contato com o estilo de vida e com a personalidade do pai, que lhe serviriam de inspiração para alguns personagens dos Contos Gauchescos (Tandão, do contoJuca Guerra, é a referência mais direta ao pai), o escritor também ouviu pela primeira vez o relato oral da Salamanca do Jarau.

Em 1890, engajou-se na sua primeira iniciativa profissional, abrindo um escritório de despachante. Empreendedor, teve grandes ideias e experimentou, com elas, grandes fracassos: foi sócio ou diretor em empreendimentos como uma vidraria, uma destilaria, uma empresa de venda de café e até uma mineradora para explorar prata em Santa Catarina. Um dos negócios mais duradouros foi a fábrica de cigarros Marca Diabo, batizada assim para diferenciá-la das outras, todas com nomes de santos. Neste entremeio casou-se, aos 27 anos, com Francisca Meirelles Leite, a Dona Velha. Neto de um dos homens mais ricos e poderosos da província, Simões Lopes Neto viveu a juventude segura e despreocupada de um herdeiro. Com a morte do avô, em 1893, a vasta herança diluiu-se entre os 22 filhos resultantes dos dois casamentos do Visconde.

  Ele escreveu durante toda a vida adulta. No final do século 19, publicou e encenou várias peças, algumas delas com grande sucesso até mesmo em teatros de Porto Alegre. Fez conferências e discorreu sobre uma infinidade de temas nos jornais pelotenses. Mas foi no fim da vida, quando trabalhava como professor e jornalista, que engendrou sua obra maior – os Contos Gauchescos, em 1912, e asLendas do Sul, em 1913, textos que viu publicados e recebidos sem alarde pela crítica. Morreu aos 51 anos, em 14 de junho de 1916, vítima do rompimento de uma úlcera duodenal que já o castigava há alguns anos. 

HISTÓRIA AINDA POR CONTAR
A ideia é promover uma programação que não apenas comemore, mas contribua para a divulgação da obra do pelotense. É o eco de um movimento iniciado há muito tempo, mas que ganha força lentamente. O primeiro ato desta retomada foi encenado pelo jornalista Carlos Reverbel, que nos anos 1940 mergulhou nos esparsos rastros deixados por Simões para recompor sua trajetória. É dele a primeira biografia do pelotense, Um Capitão da Guarda Nacional: Vida e Obra de J. Simões Lopes Neto.

Em 1949, quando os Contos... e as Lendas... foram publicados em uma edição caprichada da Editora Globo, o escritor voltou a frequentar o universo literário, ainda que timidamente. Foi a partir daí que começaram a surgir os primeiros esforços críticos sobre a obra de Simões. Nomes como Flávio Loureiro Chaves, Lígia Chiappini e Aldyr Garcia Schlee contribuíram de forma decisiva para o ingresso do escritor no universo acadêmico.

Hoje, uma nova geração de estudiosos trata de rever o material já conhecido e, principalmente, descobrir obras inéditas ou pouquíssimo frequentadas. É o caso de dois textos até então desconhecidos, Terra Gaúcha: Histórias de Infância e Artinha de Leitura, publicados em 2013 pela editora Belas Letras, sob a coordenação do professor da UFRGS Luís Augusto Fischer, que revelam uma face nova de Simões Lopes Neto: seu malogrado projeto pedagógico, que apesar de não ter sido levado a cabo, foi moderno, inovador e teria feito evoluir o sistema educacional brasileiro, caso tivesse obtido sucesso.

Um parêntese é pertinente para tratar deste episódio. Descobertos em circunstâncias fantásticas, os livros abrem caminho para, um dia, editar, finalmente, a obra completa (completa mesmo) de Simões Lopes Neto. O livroTerra Gaúcha: Histórias de Infância, por exemplo, foi encontrado em um baú entregue pela viúva do escritor ao jurista pelotense Mozart Victor Russomano e que, com a morte deste, foi adquirido pelo apaixonado pesquisador Fausto Domingues. O baú ainda está lá. E há material inédito nele.

Com tantas descobertas e com gente nova pensando sobre essas questões, surgem olhares mais abrangentes, que finalmente livram Simões da pecha de regionalista e o posicionam como um intelectual que pensou de forma moderna e progressista o seu tempo. “Em se tratando de atividades ligadas à cultura, é um regozijo para qualquer pesquisador da obra simoniana constatar que o homem que falava da canalização do Arroio Santa Bárbara, da necessidade de uma rede de esgotos efetiva em sua cidade, era o mesmo que escrevia sobre Darwin, que traduzia do francês, que escrevia em italiano e que se correspondia com intelectuais de ponta da época”, afirma a professora Heloísa Netto, mestranda em Literatura Brasileira pela UFRGS, que defende em abril uma dissertação que analisa a atuação de Simões Lopes Neto como intelectual e pensador.

Tendo em conta essa nova onda de estudos e olhares sobre a obra de Simões Lopes Neto, volta a pergunta que moveu antigos pesquisadores, como Carlos Reverbel: o que o criador de Blau Nunes tem a nos dizer, 150 anos depois de seu nascimento no remoto interior do Rio Grande do Sul?

– O mérito do Simões é literário. Ele inventou uma arquitetura narrativa capaz de sintetizar elementos que andavam dispersos, como a linguagem oral popular e o luto por um mundo que estava em vias de morrer, dando lugar à modernização. Blau Nunes é uma estratégia genial, pois dá voz natural e verdadeira ao único narrador possível para aquele mundo. Este é o maior acerto do escritor e por isso ele é grande. Mesmo assim, sua crítica ainda é esparsa e parte da sua obra está dispersa. Quando se trata de um escritor maiúsculo como ele, até lista de compras interessa, para compreender seu pensamento – afirma Luís Augusto Fischer

EXÉRCITO BRASILEIRO DOA AO MUNICÍPIO DE TUPANCIRETÃ UM TANQUE DE GUERRA

M108 - Monumento Praça Pedro Osório - Tupanciretã/RS  O município de Tupanciretã recebeu a doação de um TANQUE DE GUERRA M108 que está expos...